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Te vejo lá!!!

"Diário de Bordo 22/05 a 24/05"

Fala moçada, tudo bem?

Mais um diário de bordo, só que dessa vez, será um diário sobre todo o final de semana de shows no Tom Jazz, em SP. Isso porque como morador de Sampa, assim como toda a equipe, só posso comentar o que realmente aconteceu dentro do Tom Jazz, uma vez que ao final dos shows cada um seguia seu rumo.

Começamos na sexta feira, por volta das 15 hs, a montagem de todo o equipamento.

O Tom Jazz fica na região central de SP, mais precisamente em Higienópolis, na Avenida Angélica.

É um local muito agradável de se trabalhar. Boa localização, o ambiente é bem intimista. Lembra um pouco as casas de Jazz dos EUA.

Tem um palco de dimensões bem reduzidas, mas com uma funcionalidade que supre a falta de espaço. Toda a parte de conexão de cabos está embutida no chão do palco, para o caso de ter que se ligar caixas de retorno sem cabos cruzando o palco inteiro, não sobrando espaço para os pés!

O palco tem o formato em "T" invertido, ficando a frente na parte paralela à platéia. Na parte recuada, ao centro do palco, fica um piano permanentemente montado. Quando se faz um show como o nosso, onde só usamos a parte da frente do palco, é fechado o fundo, escondendo o piano.

Como o show foi em SP, lá fui eu carregar o carro e me dirigir para o Tom Jazz.

Resolvi pegar meu mais novo equipamento de gravação digital para fazer umas pequenas gravações como registro destes encontros. Minha irmã mais nova, a Luisa, está aqui em casa, diretamente dos EUA e recém formada na Berklee School of Music, em Boston. Estudou gravação e mixagem, além de ter estudado produção e administração musical. A parte do business que ninguém em casa teve paciência para fazer.

Tive sorte de em plena sexta-feira paulistana, não pegar trânsito!

Primeiro dia é assim, muita coisa para checar. O Edu, meu roadie, já saiu pegando as coisas e levando para o palco enquanto os abraços e apertos de mãos eram distribuídos.

Montado tudo, passamos o som. Ao final da passagem, a Luisa me chamou para dizer que tínhamos um problema. A house mix, local onde o técnico de som fica e por conseqüência ela também ficaria, mal cabia o Rodrigo Costa, nosso técnico.

Começou uma verdadeira operação de guerra.

O gerente da casa chegou e disse que poderia disponibilizar uma mesa à frente da house mix, para que a Luisa pudesse montar o equipamento, que resume-se a um laptop, um HD externo e um dispositivo para a colocação dos cabos de gravação, pouca coisa.

Como a casa é pequena, resolvemos colocar todos os nossos convidados (6 pessoas) na mesa com a Luisa, assim não teríamos reclamação.

A casa disponibilizou cabos enormes que chegavam até a mesa e pronto!

Pronto nada!! Os equipamento não tinham onde serem ligados. Os cabos de força eram muito curtos. Aí começou uma gincana para ver quem encontrava uma régua de força, com extensão até a mesa.

Acharam!! Ufa.

Isso já eram quase 20hs, momento em que a casa abria.

Tudo ligado, só faltava saber se o som estava chegando até o equipamento. Não estava!!

Por sorte, era apenas falta de atenção dada a correria.

Passamos um pedaço de cada música, bem rapidinho, e checado tudo fomos para o camarim.

Aqui começou o meu calvário...

Há pouco mais de uma semana, devido ao ar seco, peguei uma tosse infernal, e pra quem não sabe, a tosse é a inimiga número um de qualquer cantor. A tosse é uma agressão às cordas vocais. É mais ou menos a mesma coisa que se eu ficasse gritando como o Axl Rose durante dias. Não ia dar certo.

Achei que com uma boa noite de sono, um pouco de inalação, e exercícios de alongamento vocal seria o suficiente. Me enganei redondo.

Subi ao palco às 22:30 completamente rouco. Desde minhas aventuras em bandas de colégio e festivais eu não ficava tão tenso.

Uma, duas, três músicas e o som da minha voz ia piorando. Sete, oito, nove músicas e a sensação de que aquilo não ia dar certo.

Meio do show. Adeus voz!!

Como o ar estava muito seco, mesmo que eu bebesse uma represa inteira, não conseguia hidratar minhas cordas vocais o bastante. Com isso elas perdem elasticidade, e o resultado é a perda de controle em todas as regiões.

Resultado: para sair algum som eu tinha fazer uma força incrível, danificando ainda mais o instrumento.

Ao final do show eu não chegava nem aos pés de um cantor, mas acreditava que dormindo bem e ficando sem falar até o dia seguinte, melhoraria. Normalmente melhora.

Fui para casa e dormi até a hora do almoço (coisa rara!!). Me levantei, tomei um banho, saí do quarto e quando fui falar "bom dia" meu mundo caiu.

Nenhum som. Eu parecia uma foca!! Fiquei tomando água o dia inteiro, fazendo alongamentos, mas nada resolvia, parecia que um ouriço tinha dormido dentro da minha garganta, e a tosse aumentado.

Fui para o Tom Jazz no final da tarde, passei o som e quando tentei cantar, uma maritaca saiu de dentro da minha boca!!

Voltei para o camarim deitei e esperei a hora do show, e quando esta chegou, havia decidido que sem voz e desanimado eu não ia ficar. Falei para o Conrado e para o Matsumoto que não sabia se estaria afinado e com a voz no prumo, mas que eu ia animar geral, eu ia.

Toquei o horror durante o show inteiro! Falei um monte de bobagem, fazia palhaçada para os músicos, contei histórias e tudo mais que eu poderia fazer melhor do que cantar.

Na segunda metade do show apelei. Foi um festival de "VOCÊS!!!!". Deixei a platéia cantar quase tudo.

Acabei o show imprestável. Sofri muito, parecia que tinha ido para a guerra. Meus parceiros de guerra me incentivaram, mas estava um caco. Tanto que resolvi não atender ninguém depois, saí do palco praticamente para dentro do meu carro.

No caminho para casa encostei em uma farmácia com a minha irmã e comprei uma bomba. Normalmente receitada pelo meu médico para situações extremas. E esse era o caso. Se eu não fizesse nada a respeito, duvido muito que eu conseguisse emitir qualquer som no dia seguinte.

Cheguei em casa e depois de tomar o remédio, cama!

Acordei bem, assisti à corrida, tomei café com a galera que estava aqui em casa. Meu pai, a Flávia (minha "boadrasta"), Luisa, Patricia e Rafa.

Almocei com todo mundo sem falar quase nada, e a Patricia ficava me perguntando: "E aí? Fez efeito?". E eu respondia: "Ainda não sei!"

Fui para o Tom Jazz sozinho, porque depois da noite anterior, falei para a Luisa que não precisaria gravar, porque se minha voz melhorasse 50% ou mais, não seria digna de uma gravação.

Cheguei, passei o som e me sentia bem melhor que no dia anterior.

Assisti ao clássico, ou pelo menos os melhores momentos, já que a Globo resolvei dar luz ao embate do Maracanã, que parecia uma pelada, enquanto no Palestra o couro comia solto. Tuuudo bem!!

Comecei meus alongamentos, me vesti e fomos à luta.

ÊTA REMEDINHO BÃO!!!!

Inacreditavelmente eu estava muito bem.

Claro que minha voz estava cansada, mas eu tinha controle sobre ela, e usando bem a técnica, tudo saiu quase perfeito. Foi muito bom e saí com a melhor impressão de todas.

Agradeço a compreensão de todos que estiveram no Tom Jazz nestes dias. Fiz o meu melhor e espero ter atendido às expectativas de quem foi assistir.

Agradeço toda minha equipe por dar o suporte que eu precisava para continuar.

Agradeço à Nova Brasil FM: Calmon, Marcelo Barros e Fause, e toda a equipe da rádio pelo convite, pela confiança e pela parceria.

Agradeço ao Tom Jazz pelo espaço e agradeço toda a equipe que nos atendeu prontamente em todas as solicitações e sempre com um sorriso no rosto.

É isso aí moçada, até mais!!!

Um Festival Inesquecível!!

Vou contar hoje, uma história interessante sobre minha experiência em um festival internacional.

Não foi minha primeira viagem internacional, mas foi a mais importante profissionalmente. Depois eu conto sobre a primeira que foi hilariante!

Em 1996 eu estava vivendo um turbilhão de acontecimentos. Tudo acontecia muito rápido, e para me acostumar às mudanças foi um pouco difícil. No ano anterior, eu havia feito o show em homenagem à minha mãe, no TUCA em SP, que além de muitas matérias nos principais jornais do país, me mostrando para o mundo pela primeira vez, rendeu também um contrato com a  Sony Music do Brasil para a gravação do meu primeiro disco como cantor.

Antes de gravar este primeiro disco, participei da gravação do disco João Marcello Bôscoli & Cia. Juntamente com Simoninha, Claudio Zoli, Max de Castro, Daniel Carlomagno, Milton Nascimento e outros.

Após este disco ficar pronto, entramos em turnê, e já  pude testar uma série de músicas que vieram a entrar no meu primeiro disco (aquele verdinho, “Pedro Camargo Mariano”).

Este disco ficou pronto no meio do ano de 1996, e durante o processo de mixagem, recebi em casa uma ligação do meu pai, que já morava no EUA. Nessa ligação ele me convidava para participar, com ele, de um show no “Festival de Jazz de Montreux”, em Julho, na Suíça, numa homenagem à minha mãe.

Essa apresentação homenagearia a apresentação que minha mãe fizera neste mesmo festival. Em tempo: ao final de sua apresentação, ela foi aplaudida durante 11 minutos seguidos. Este furor foi registrado em disco, mas como durou muito tempo, colocaram só um pouquinho para dar vontade!

Nota: foi a primeira vez que fui convidado pelo meu pai para exercer minha profissão. Já tínhamos feito coisas juntas, mas nada público.

Perguntei a ele o que tinha em mente. Ele me disse que iria fazer um show aonde ele faria uma parte instrumental com algumas músicas dela, depois chamaria alguns convidados: pela ordem João Bosco, Pedro Mariano e Milton Nascimento.

Gelei. Nunca tinha saído do país para uma apresentação como artista solo, e de cara iria dividir as atenções com essa feras.

Depois perguntei como seria minha apresentação. Ele me disse que eu cantaria “Triste” com a banda, “Se Eu Quiser Fala Com Deus” em piano e voz e “Maria, Maria” com o Milton Nascimento.

AAAAAAAAAAHHHH Tá!!!!!! Como se fosse a coisa mais normal do mundo! Vou viajar até a Suíça, fazer uma homenagem à minha mãe, cantando piano e voz com meu pai, e de quebra fazendo um dueto com o Milton Nascimento? Super normal!

Para ele disse na maior tranqüilidade: “Beleza!! Que horas é o vôo? Que roupa eu levo?”. Uma brincadeira que fazemos sempre.

Ao desligar o telefone, um certo pânico tomou conta de mim, mas uma sensação boa, e ao mesmo tempo uma insegurança. Queria que desse tudo certo. Não queria desapontar o meu pai, por estar me escolhendo para fazer parte dessa apresentação.

Nesse meio tempo o disco ficou pronto e aproveitei para ficar com uma cópia para mostrar para meu pai quando fosse para a Suíça.

Tudo pronto para viajar. Eu estava indo com meu empresário, na época o Cesar Bekerman. Deixei que ele visse toda a logística: hotéis, traslados, passagens, enfim, tudo.

Da produção do evento só nos forneceriam o hotel, então teríamos que resolver a parte aérea. O Cesinha me ligou e disse que por ser Julho, estava tudo lotado, e só conseguiríamos viajar em pacotes turísticos, ou seja, ficar mais tempo que o necessário.

Eu tinha que chegar dois dias antes do show para ensaio e ir embora do hotel no dia seguinte ao show, com isso somavam-se 4 dias de hospedagem. O Cesinha só tinha conseguido passagem para 1 semana o que nos deixa 3 dias na rua. Resolvemos ver isso quando chegássemos lá, porque não tínhamos noção de preços. E como bons aventureiros compramos as passagens para 1 semana, hotel para 4 dias e 3 dias de pernadas nas ruas da Europa.

Cheguei lá pousando em Genebra, um carro da produção veio nos pegar no aeroporto e rumamos para Montreux.

As estradas, a natureza, tudo era mágico. Parecia aquelas fotos de embalagem de chocolate caro. Montanhas altas com neve no cume, muitas pastagens, lagos (lembrei das fotos que poderiam ser colocadas no momento "Karaokê" do show acústico!!). Tudo muito bonito e novo.

Algumas horas depois estávamos estacionando no hotel, onde no saguão meu pai, a Flavia (sua esposa), o Oscar, irmão da Flavia e toda a banda estavam papeando.

Celebrações a parte, rumei para meu quarto deixar as malas e correr pra ver tudo, porque ensaio mesmo só no dia seguinte.

Meu quarto era sensacional, parecia saído de um filme do Coppola. Antigo, rústico, mas extremamente aconchegante. O frio do lado de fora não incomodava por conta do aquecedor ligado, e uma vista do lago Leman absolutamente mágica.

Saímos para dar uma volta e logo de cara vi uma loja de quê? CHOCOLATE!! (por que será né?).

Comprei o maior Toblerone que já vi. Tinha 1 metro de comprimento!! Levei dois porque já sabia que um ia ficar na Suíça.

Passeamos pela "orla" do lago e lamento não ter mais as fotos. Não era época digital, e acabei perdendo quase todas as fotos, mas vou dar uma olhada e ver se encontro alguma coisa.

Escureceu e saímos para jantar em um restaurante de comida portuguesa, muito gostoso! A nota ficou por conta de um barco que margeava toda a "orla" do lago com uma banda a bordo tocando para quem estava em terra. A banda em questão era o "Asa de Águia".

Alguns vinhos e quilos depois, fomos para o hotel. Fui dormir quase 5 da manhã por conta de um bate-papo com meu pai, só eu e ele, que foi responsável por toda amizade e respeito que nutrimos um pelo outro. Nunca tínhamos sentado para conversar daquele jeito, e como eu já morava longe dele haviam dois anos, foi muito bom para ambos.

Fui para o quarto e tive uma das melhores noites de sono da minha vida. Leve, profunda e sem pagode!

Acordei, fui tomar café com o Cesinha, e nos dirigimos para o ensaio.

O ensaio foi montado dentro do hotel, em um salão de convenções. Colocaram um piano, uma bateria e dois amplificadores para guitarra e baixo, além de dois microfones. Um meu e o outro do Milton Nascimento. Começou a cair a ficha.

Fui ensaiando com meu pai o piano e voz, afinal era a primeira vez que faríamos isso. Depois de um tempinho partimos para a música com a banda. No meio dessa música chegou o Milton. Nota: eu o conheço desde que nasci, não há formalidades, mas uma coisa é o Bituca, outra é cantar com o Milton Nascimento.

Finalizei minha parte do ensaio e deixei que o Bituca ensaiasse a parte dele com meu pai. Eles fizeram também um número de piano e voz, um com a banda. Depois veio o momento de ensaiar nosso número, "Maria, Maria".

A coisa estava fluindo tão naturalmente que me vi, de repente, dizendo para o Milton: você pode entrar aqui, canta até aqui e eu vou daqui em diante, etc.! Oh, audácia!!

Mas o Milton é isso mesmo. De uma gentileza, uma humildade que faz você pensar que ele é igual a você.

Passamos tudo, foi muito gostoso, me dando a sensação de que teríamos um noite especial.

É tradição neste Festival, um almoço dado pelo organizador do evento, Claude Nobles, em sua casa, para todos os participantes. A festa ocorre nos jardins de sua casa. Já sabíamos de algumas atrações que haviam confirmado presença, como Phil Collins e Quincy Jones. Pirei!!!

Ocorre que pelo meio da manhã, uma chuva enorme assolou a cidade. Adivinhem o que aconteceu? Caiu o almoço, e eu que iria conhecer Phill e Quincy, dancei!! Artista brasileiro…

Resolvemos então ficar por perto do hotel, e dar uma volta em uma feira que acontece durante todos os dias de festival, às margens do Leman. Nessa feira acontece de tudo. Feira gastronômica, música, artes em geral. Você vê palcos montados com uma distância de poucos metros uns dos outros, com artistas absolutamente distintos tocando e em cada palco, um pequeno público sentado assistindo, tranqüilamente com suas famílias.

Assistimos a vários shows. Depois entramos no complexo onde aconteceria o show do dia seguinte e assistimos alguns trechos de outros artistas. Saímos já era noite. Paramos no caminho para o hotel em um restaurante minúsculo, onde comi o melhor risoto de frutos do mar da minha vida.

Voltamos para o hotel e cama!

No dia seguinte o trivial de dia de show: café-da-manhã, pega as tralhas e vamos passar o som. Correu tudo bem e voltamos para o hotel para nos arrumar para a batalha!

Chegando ao teatro, na Sala Stravinky, fomos para o camarim e primeira emoção: um camarim com meu nome na porta!

Caminhando pelos corredores do teatro, vários artistas se preparando para entrar em cena, se aquecendo, porque vários shows acontecem ao mesmo tempo. É muito divertido. Vi, por exemplo, Maria Bethânia aquecendo sua maravilhosa voz no camarim ao lado do meu.

Eis que chega a hora! Estava tão concentrado e tão nervoso que as lembranças dos minutos antes do show são embaçadas. Sei apenas que fiquei no backstage, onde tinha um monitor de TV passando o show, assistindo a tudo, tentando entrar no clima do palco. Músicos brasileiros estavam lá e um bate-papo muito engraçado rolava, tirando a tensão do momento.

Meu pai me chama e lá vamos nós. Detalhe: durante a passagem de som levei ao palco um caderno com a letra da música escrita, já antevendo que o nervosismo não me deixaria decorar tudo. Ao sair do palco, esqueci o caderno lá. A produção era tão competente que quando entrei no palco, o caderno continuava lá. Para minha sorte. E o pior, está lá até hoje!! Esqueci de tirá-lo após o show.

A performance de todos foi mágica, tudo correu como imaginado. Foi uma delícia. E apesar de minhas apreensões, meu dueto com o Milton foi muito legal. Nota: combinamos que o traje no palco seria o terno. Coloquei um terno preto com gravata laranja e no pé um sapato…laranja!! Não podia deixar de ser artista!! Quando eu voltei ao palco, pela segunda vez, para cantar com o Milton, ele estava bem descontraído, com uma camisa branca e seu tradicional chapéu. Achei que meu uniforme estava demais. Conforme fui entrando no palco cantando, tirei o paletó e a gravata. Acabou virando um momento do show. Joguei a gravata longe. Tão longe que ela também está lá até hoje.

Saí do palco meio sem saber o que estava acontecendo. Quando vi estava com um alemão ao meu lado, pedindo autógrafo e tirando fotos comigo. Meu primeiro autógrafo internacional. Ainda bem que registraram em foto o momento.

Depois de festejarmos o momento, o baterista Mark Walker e o baixista Leo Traversa, ambos americanos, viraram para mim e perguntaram se eu queria ver o show do Marcus Miller que acontecia no outro palco do complexo. Eu disse que não tinha convite e eles me disseram que minha credencial era o convite! Saímos correndo e conseguimos pegar algumas músicas do show. Super experiência!!

Saímos para jantar, confesso não lembro onde! Fui dormir e no dia seguinte começou a aventura da pessoa física.

Sem ter mais reserva no hotel, eu e o Cesinha resolvemos ver o que faríamos. Decidimos que iríamos naquela manhã para Genebra e de lá para Paris, tudo de trem. O primeiro trecho de trem comum e o segundo de TGV, o trem bala europeu.

Fomos à estação e compramos as passagens, voltamos para o hotel e o Oscar, meu tio "torto", com seu francês hábil reservou um hotel para nós em Genebra. Do outro lado da rua da estação de trem. Pegamos as malas e fomos à luta.

A viagem foi agradável, calminha e chegando em Genebra resolvemos nos libertar das etiquetas (muito mais pela falta de grana, do que por qualquer outra coisa), afinal só restaurante de barão em Montreux, tínhamos que voltar à Terra. Primeira refeição do dia foi no Burger King!!!

Nos vimos sem pilhas e sem filme para as câmeras, e do outro lado da rua da lanchonete tinha uma loja de filmes e afins. Entrei e peguei uma pequena fila, onde reparei que o casal à minha frente falava português. Estavam carregando seu videocassete para consertar. Pensei: chique, hein? Consertando o videozinho do apezinho em Genebra!!!

Esperei mais um pouco na fila e comecei a ter a sensação de que já tinha ouvido a voz daquele senhor e a cara dele não me era de toda estranha. Fui esperando, quando de repente eles se viram e eu o reconheço: Edir Macedo.

Naquela época tinham sido veiculados na TV aqueles vídeos dos cultos no Maracanã, onde sacos e sacos de dinheiro eram carregados nas costas de ajudantes. E a pergunta: "onde anda Edir Macedo?" era repercutida em todo lugar.

Não tive dúvida, desisti dos filmes e das pilhas e saí correndo de lá com medo de ter uma câmera escondida e minha carinha aparecer no Fantástico!!

Olha quem foi achar o cara!!

Continuamos a curtir Genebra pelo chão, mas como só se curte Genebra de dentro de um banco, no dia seguinte fomos para Paris.

Como não tinha mais o meu tio e seu francês para me ajudar, fui no inglês mesmo e descobri que ao chegar em Paris era só procurar os quiosques de ajuda ao turista que eu conseguiria uma reserva em hotel. Fomos para a estação, compramos os tickets para o TGV e no dia seguinte, Paris, uh-lah-lah!

Andar de TGV é muito louco!! Dentro você tem a sensação de que está parado, mas basta olhar a janela que você vê tudo borrado devido à velocidade. Um velocímetro colocado em todas as cabines diz a velocidade de momento e chegamos a 250km/h... e nem fez cócegas.

Em menos de três horas estávamos em Paris. Fomos ao quiosque do turista e ao fazermos a reserva no hotel que tínhamos indicação, descobrimos que Paris estava LOTADA!! Afinal era Julho!! Conseguimos uma diária para aquela noite, ou seja, tínhamos o dia para ver a Torre e o que mais desse.

Saímos correndo, chegamos ao hotel, largamos as malas e voamos para o metrô. Quando chegamos à torre: magia!!! Que lugar maravilhoso, a vista, tudo. Saímos de lá e fomos até o Café De La Paix, um bistrô que fica ao lado do Opera de Paris.

Comemos um pouco e, coincidentemente, após sairmos de lá, passamos em frente ao Olympia. Casa de show famosa onde minha mãe fez algumas apresentações, e qual foi a minha surpresa ao me deparar com uma foto dela na entrada do teatro, juntamente com outras fotos de grandes estrelas internacionais que também tinham se apresentado lá. Emocionante!

Corremos até a Champs Elisée e cama!!

Tínhamos um problema. A nossa diária acabaria no dia seguinte de manhã, portanto não poderíamos dormir sem antes saber o que faríamos depois. O Cesinha teve uma idéia: "vamos para a Euro Disney!". Eu pensei comigo: se Paris está lotada, o que faz ele pensar que a Euro Disney vai estar vazia?

Peguei o telefone e liguei para a central de reservas da Disney. Lá fui atendido por uma moça que descobri depois era portuguesa e me ajudou bastante a resolver o problema. A Disney, acreditem, estava VAZIA! Conseguimos quartos ótimos, dois dias de parque e passagem de trem direto para o aeroporto a um preço inacreditável. Não tivemos dúvida: Mickey, aí vamos nós!!!

Lá chegando, volta-se a ser criança. Como um dos meus lazeres prediletos é parque de diversões, fui ao paraíso. Foi muito legal, realmente não estava cheio e deu para curtir muito.

Passados os dois dias, juntamos as tralhas e pegamos o trem para o aeroporto. Depois disso foi tudo igual a qualquer viagem: chek-in, avião, sono…

Realmente foi uma viagem inesquecível. Por tudo que aconteceu em todos os detalhes. Eu muito jovem tendo essa oportunidade, não teve preço.

Espero que tenham gostado tanto quanto eu!!

Até mais moçada!!

Diário de Bordo 10/05/2009 – SESC Santos

Fala moçada, tudo bem? Como foram de Dia das Mães?

Meu Dia das Mães foi agitadíssimo, dividido entre as funções da pessoa física e da pessoa jurídica.

Falando rapidamente da pessoa física, acordei às 6:30 da manhã e fomos eu e Rafa à padaria encomendar o café-da-manhã da mamãe. Depois de deixar tudo preparado fui assistir à F1, enquanto a Rafa assistia à “Bela Adormecida”, para depois acordarmos a mamãe. Após o café-da-manhã começou a correria… Equipamento no carro, roupas na mala e fui voando para o ponto-de-encontro, porque, lógico que a pessoa física atrasou a pessoa jurídica.

Chegando ao ponto-de-encontro, ao meio-dia, descobrimos que a van  atrasou, porque se perdeu no caminho. O Simon me passou a descrição da van e eu descobri que tinha passado por ela uns 4 quarteirões antes, sendo que a van ia na direção errada. O Simon achou o motorista pelo celular e conseguimos nossa carona.

Chegando todo mundo,  resolvi presentear todos da equipe com uma cópia do CD novo, que tinha acabado de chegar em minhas mãos. Felicidade geral da nação, o Matsumoto repetia sem parar: “– Não acredito, não acredito…”. Confesso que depois de 5 anos de espera, nem eu!

Adentramos a van que nesse dia estava particularmente calma. Conversamos sobre o que faríamos à noite, ouvimos o CD 2 vezes, e demos algumas risadas.

Chegando em Santos, o motorista perdeu a gente. Foi um tal de canal 5, canal 6 e nada do SESC. Isso que o nosso mega produtor é de Santos!!! Serviu para nada!!

Ele alega que estava tudo sobre controle…

Depois de encontrada a banda perdida, chegamos ao SESC e sem demora nos dirigimos ao restaurante do SESC. Tipo bandejão, e da melhor qualidade.

Nota gastronômica: sobre os pratos haviam placas de três cores... verde, amarela e vermelha. Verde: consumo liberado. Amarela: consumo moderado. Vermelha: evitar consumo excessivo. Claro, sim?

Lido isso começou a discussão se comeríamos para valer ou se pegaríamos leve por conta da passagem de som. Cada um decidiu seu caminho.

Matsumoto pegou leve. Não adiantou, ficou com peso na consciência!

Conrado pegou pesado. Pediu uma rede!

Fiquei no meio termo, mas comi sobremesa!

Destaque da tarde: Simon. Pegou uma amostra de TODOS os pratos servidos no bandejão. Um recorde!!

Depois de um café, fomos montar o palco. Bem devagar…

Ao contrário de Campos do Jordão encontramos um ambiente bem menos hostil, no que se refere ao equipamento.

Os SESCs tem por excelência o primor nas instalações, e nas condições de trabalho. Não foi diferente desta vez.


Chegamos no palco e o rider (lista de equipamentos básico pedida por nós) estava montado e checado. Teatro impecável e equipe sorridente e prestativa.

Começamos a função e logo o palco estava pronto.


Conrado e Rodrigo Costa

Matsumoto



Começamos a passar o som propriamente dito e me deparei com um problema no nosso sistema de monitoração. O mesmo que apareceu em Campos!! Fui até a base do sistema e depois de muitos testes joguei a toalha. Estava prestes a jogar tudo pela janela, quando o Rodrigo Costa, meu técnico, e o Simon resolveram instalar uma antena nova e ver se resolvia o problema. O Rodrigo foi instalar e descobriu que os cabos da antena original tinham sido desligados e montados de forma invertida, o que logicamente não estava certo.

Outra nota: este equipamento fica, normalmente, a cargo do técnico de som para que seja montado e desmontado ao longo dos shows. Pergunta: onde estávamos antes de Campos? No Rio. Quem montou e desmontou o equipamento? O Alberto. Quem  foi xingado aos quatro ventos ontem em Santos? TEMPO!!!!

Todos somos passíveis de equívocos!!

Resolvido o problema, seguimos com a passagem.

Resolvemos fazer uma espécie de quiz musical tocando músicas do meu trabalho que nunca havíamos tocado nessa formação. Foi muito engraçado. Nós três caçando os pedaços das músicas, eu inventando letras e o Matsumoto, pra variar, sem errar nenhuma vez. Típico.

Finalizamos e fomos para o camarim para nossa clássica sessão besteirol. Mas antes dei uma entrevista para a revista “AO VIVO”, do meu amigo Cássio Laranja, para o Eugênio Martins Jr..

Pronto, começamos o besteirol, entramos no clima e fomos para a guerra!!


Não existe coisa mais gostosa do que subir ao palco e dar de cara com a casa lotada. Tivemos lotação esgotada e um público muito animado e participativo. Típico de Santos.

O show foi ótimo, nossa parte foi muito boa e nos divertimos muito.


Findado o show, recebi o pessoal enquanto o Edu ( nosso roadie) desmontava o palco e pegamos a estrada.

Cheguei em casa quase 2 da madrugada!! Ufa, acabou.

Foi um Dia das Mães muito gostoso, um dia de trabalho à altura.

Espero que tenham gostado.

Nos vemos moçada!!!

Imagens falam mais que palavras!!

Eis que elas chegaram!!

Tudo começa assim!!!

Silvio, Conrado, Dário, Matsumoto e Alberto, no camarim após o último show.

Por incrível que pareça, o Alberto Vaz é um excelente técnico. Mas sempre tem que estar com a mente ocupada!!

  

  

  

  

Um pouco de Rival!!! Fotos tiradas por Simon e Silvio Charles!!

  

"Chat"eando vocês na MPB FM! (trocadilho horrível!!)

Saguão do "OK Hotel". Conseguem ouvir  pagode? Será que sou só eu?

  

Montando tudo que nem uns loucos!!! Chegando em Campos do Jordão só o frio funcionava!!!

O Alemão em questão é o Rodrigo Costa, nosso técnico. Diga-se de passagem que nem alemão é. Nem tem uma moto!!

  

Alegria de sobra e energias renovadas!! Fora o friozinho!!

 

Bem é isso aí, espero que tenham gostado.

Domingo estarei em Santos no SESC. Recebi a notícia de que faltam muito poucos ingressos. Eba!!

À moçada de Santos: até já. Parece que o Dia das Mães promete!!

Para que não for: bom Domingo e até o Diário de Bordo da semana que vem.

Às mães, um grande beijo e bom Domingo!!

 

Até mais moçada!!

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